Em cada ser humano, existe uma realidade intrínseca e profunda, muitas vezes escondida, que precisa ser observada com carinho, acolhida e, mais importante ainda, integrada à nossa jornada de fé. E esta realidade está relacionada à nossa “sombra”.
Contudo, ao falarmos em acolher as próprias sombras, não estamos nos referindo apenas a aspectos negativos ou sombrios da nossa vida. Mas sim a tudo o que, ao longo do tempo, fomos ignorando, negando ou reprimindo. São os medos, os traumas, as fraquezas, mas também os aspectos mais autênticos e genuínos da nossa essência; aqueles que nos fazem humanos e que, muitas vezes, nos afastamos por temermos o que eles possam revelar.
Logo, o convite para acolher as próprias sombras não é um convite ao sofrimento sem fim, mas uma porta aberta para a cura. Através dessa acolhida, somos chamados a resgatar nossa humanidade mais profunda e, ao fazer isso, também resgatamos a nossa mística, aquela chama interior que nos conecta a Deus e ao mistério da vida.
Aliás, bem sabemos que a espiritualidade não é feita apenas de momentos de luz, mas também de momentos em que a escuridão, se compreendida e integrada, nos conduz a uma experiência mais genuína e transformadora do divino.
Aprofundando a acolhida: o que significa acolher as sombras?
A vida dos sacerdotes, dos religiosos e de todos aqueles que se dedicam à missão de servir à Igreja frequentemente está marcada por uma busca constante pelo ideal de santidade. No entanto, o caminho da santidade nunca foi um caminho linear, sem dificuldades. Pelo contrário, é um percurso repleto de tensões, lutas internas e desafios.
Muitas vezes, em meio a essas lutas, nos esquecemos de que somos chamados não apenas a viver a luz de Cristo, mas também a mergulhar em nossas próprias sombras. Ao ignorá-las ou tentar varrê-las para debaixo do tapete, negamos a totalidade da nossa humanidade.
Portanto, a sombra não é algo a ser temido ou evitado, mas algo a ser acolhido e transformado. Ela é parte de quem somos e, como tal, deve ser reconhecida. Quando aceitamos nossas sombras, abrimos espaço para a cura, para a reconciliação interior e para o crescimento espiritual. Como nos ensina a espiritualidade cristã, só quem é capaz de reconhecer suas limitações pode realmente se entregar ao mistério divino, buscando na oração, na reflexão e no serviço a verdadeira paz.
A Irmã Silvia Maia, que estará conosco no VIII Congresso Âncora, nos convida a refletir profundamente sobre este processo de acolhimento. Com sua vasta experiência, tanto no campo da psicologia quanto na espiritualidade, ela propõe um caminho de integração que vai além da psicologia convencional. Ela nos lembra que o acompanhamento psicoespiritual é uma via para ajudar os religiosos e sacerdotes a resgatar sua humanidade e a voltar ao centro de sua vocação.
Nutrir a vida: o que significa cuidar de si e dos outros?
A acolhida das sombras é apenas o primeiro passo. Após reconhecermos e aceitarmos aquilo que nos faz humanos, o próximo movimento é nutrir a vida. Nutrir a vida é cuidar de nossa saúde emocional, espiritual e física, reconhecendo que somos responsáveis por nossa própria integridade.
Para aqueles que estão em constante missão de cuidar dos outros, como os padres e religiosos, o risco de negligenciar a própria saúde é real e muitas vezes invisível. Contudo, é preciso lembrar que só podemos dar aquilo que possuímos, e se não cuidamos de nós mesmos, não seremos capazes de oferecer uma presença verdadeira e transformadora aos outros.
Nutrir a vida também passa por um processo de espiritualidade vivida no cotidiano. E isso implica em alimentar o espírito com oração, meditação, estudo e ações concretas que reforcem nossa conexão com Deus e com a missão que nos foi confiada. A espiritualidade cristã é uma força que transforma, que nos fortalece e nos prepara para acolher o sofrimento do outro com empatia e compaixão.
No VIII Congresso Âncora, em Curitiba, este é um dos pontos centrais que serão abordados. O congresso tem como tema “Acolher e cuidar: a missão da igreja na prevenção ao suicídio”, um convite para refletirmos sobre como, enquanto Igreja, podemos ser instrumentos de vida para aqueles que se encontram na escuridão do sofrimento.
A partir das reflexões da Irmã Silvia Maia, seremos convidados a entender como a acolhida das sombras e a nutrição da vida são elementos essenciais na prevenção do suicídio e no cuidado espiritual de quem passa por momentos de crise.
Resgatar a mística: reconectando-se com o mistério divino
A mística é a alma da espiritualidade. Ela é a vivência do mistério de Deus em nossas vidas, a experiência do Divino em nossos corações e na nossa missão. E quando falamos em “resgatar a mística”, estamos nos referindo à necessidade de voltar ao essencial da vida espiritual. Em um mundo que muitas vezes prioriza o racional e o pragmático, a mística nos lembra da presença viva de Deus, que vai além das palavras e das explicações, e se revela no silêncio, na contemplação e na entrega.
Para os religiosos e sacerdotes, resgatar a mística é fundamental. Ela não apenas fortalece a fé, mas também proporciona a capacidade de ser presença divina para aqueles que nos procuram. A mística nos ajuda a transcender as limitações humanas e a nos abrir para a experiência de Deus. Logo, é um processo contínuo de descoberta, de humildade e de entrega.
No VIII Congresso Âncora, o tema da mística será abordado em diversas palestras e dinâmicas, com foco na maneira como podemos recuperar nossa conexão com o mistério de Deus, mesmo diante das dificuldades da vida e da missão. A Irmã Silvia Maia, com sua experiência e sabedoria, nos conduzirá por esse caminho de reconexão, mostrando que é possível resgatar a mística sem se perder no processo de acolhimento das próprias sombras e do cuidado com a vida.
Convidamos você para o VIII Congresso Âncora
O VIII Congresso Âncora, que acontecerá nos dias 02 e 03 de maio em Curitiba, é uma oportunidade única para aprofundar o tema “Acolher e cuidar: a missão da igreja na prevenção ao suicídio”. Neste evento, teremos a presença da Irmã Silvia Maia, que, com sua experiência em psicoespiritualidade, nos ajudará a refletir sobre como podemos acolher as nossas próprias sombras, nutrir a vida e resgatar a mística em nossa missão pastoral.
Este congresso será um espaço de reflexão, troca de experiências e fortalecimento espiritual, no qual você, como sacerdote ou religioso, poderá aprofundar seus conhecimentos e vivências, descobrindo novas formas de cuidar de si e dos outros no contexto tão desafiador da prevenção ao suicídio.
Não perca esta oportunidade de caminhar conosco nessa jornada de acolhimento, cuidado e resgate da mística. Esperamos por você em Curitiba, para que juntos possamos buscar, cada vez mais, ser instrumentos de luz e vida para aqueles que tanto necessitam.
Acolher, nutrir e resgatar: um caminho de transformação e cura para todos.
Faça sua inscrição para o VIII Congresso Âncora AQUI!